NOVA YORK, 8 Set (AFP) - A Cúpula do Milênio, a maior da história contemporânea, terminou esta sexta-feira em Nova York com um compromisso dos líderes do planeta com a erradicação da pobreza, a luta contra a AIDS e o fortalecimento do papel da ONU, dando mais recursos aos boinas azuis.
Os 147 chefes de Estado ou governo, dentre os quais monarcas e sultões, comprometeram-se, junto aos representantes do total de 189 Estados membros da ONU, a cooperar para um mundo melhor, no último ato da Cúpula realizada na sede do organismo mundial rodeada de um impressionante esquema de segurança.
Durante três dias, os governantes desfilaram no pódio da Assembléia Geral para resumir em cinco minutos as prioridades da agenda mundial, expressadas na Declaração do Milênio. Em primeiro lugar figuram a manutenção da paz, a erradicação da pobreza, a luta contra a Aids, a promoção da educação, a prevenção de conflitos e a proteção do planeta.
Na Declaração, negociada duramente durante várias semanas, mas adotada por aclamação pelos 189 Estados membros da ONU, os dirigentes se comprometeram também a fortalecer os direitos humanos e as democracias emergentes.
O documento estabelece ainda, entre as tarefas mais urgentes para os governantes, a reforma das Nações Unidas e mais verbas e recursos para que os boinas azuis possam assumir melhor sua missão de garantir a paz no mundo.
Em seus discursos, a maioria dos líderes reconheceram os esforços a favor da paz realizados pela ONU desde 1945, ano de sua fundação, mas concordaram com a necessidade de transformar a organização para orientá-la no século XXI.
"Vetusta", disparou do pódio da Assembléia o presidente cubano Fidel Castro, referindo-se à instituição criada em 1945, na qual os aliados vencedores da Segunda Guerra Mundial ainda gozam do direito de veto.
"Obsoleta", qualificou o presidente da Indonésia, Abdurrahman Wahid, enquanto os líderes latino-americanos denunciaram a falta de democracia no organismo mundial.
"Eliminar o veto no Conselho de Segurança: um consenso absoluto na mesa número três", disse o presidente da Venezuela Hugo Chávez, desencadeando os aplausos do auditório ao apresentar as deliberações do grupo de trabalho que presidiu durante a cúpula, que nesse ponto específico não foram recolhidas na declaração final.
Chávez, no entanto, se mostrou otimista. "Estamos seguros de que seremos ouvidos porque falamos por milhões: apelamos para que nos escutem, já, agora mesmo e de uma vez por todas".
A declaração marca objetivos específicos para salvar a milhões de pobres até o ano de 2015, embora não sejam obrigatórios para os Estados como as resoluções do Conselho de Segurança, o órgão executivo da ONU onde estão representados apenas 15 países, cinco deles membros permanentes com direito de veto.
O documento luta para a ajuda em especial às organizações regionais para que evitem conflitos. Chama a atenção específica às necessidades da África, palco de violentos conflitos, prometendo um "fluxo confiável de recursos para manter a paz no continente".
À margem da reunião, um aperto de mãos entre o presidente americano Bill Clinton e o cubano Fidel Castro, fortuito porém histórico, desviou a atenção dos meios e tornou-se o destaque da Cúpula, ocupando esta sexta-feira as primeiras páginas de todos os jornais nova-iorquinos.
E enquanto os representantes dos Estados membros da ONU se livraram de uma maratona de discursos - 133 nos dois primeiros dias, 53 na sexta-feira-, festas e reuniões bilaterais, dissidentes de todo o mundo, entre os quais grupos anti-castristas, peruanos, iranianos, iraquianos, chineses - tomaram durante três dias a praça em frente à sede da ONU, para realizar protestos.
A reunião será encerrada com chave de ouro no sábado e no domingo à noite, quando as Nações Unidas, conscientes dos inconvenientes causados aos nova-iorquinos durante a cúpula do Milênio, agradecerá à cidade com uma iluminação especial que brilhará em seu edifício de cristal, às margens do East river.
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