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Moçambique-CPLP: Moçambique assume presidência da CPLP

Agence France-Presse - Julho 17, 2000

MAPUTO, 17 Jul (AFP) - Moçambique assumiu nesta segunda-feira a presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), no terceiro encontro da organização, desta vez em Maputo, capital moçambicana, em meio a pedidos de maior cooperação dos estados membros.

Ao assumir a chefia da organização das sete nações de língua portuguesa, o presidente moçambicano Joaquim Chissano disse que seu governo está comprometido com os objetivos da CPLP.

"Meu governo, e eu pessoalmente, iremos investir toda a nossa energia nas decisões da CPLP para o desenvolvimento, consolidação e prestígio de nossa organização", disse Chissano.

Chissano -- que é também líder dos 14 países da Comunidade de Desenvolvimento Sul-Africana (SADC) -- insistiu na cooperação nos setores de educação, saúde, justiça, administração pública e telecomunicações.

Seus pedidos de cooperação foram repetidos pelos outros chefes de Estado.

O presidente Fernando Henrique Cardoso disse que a CPLP "Não deve ser um mero monopólio de governos, pois ela só faz sentido com o envolvimento direto das sociedades que crêem em seus valores."

O primeiro-ministro português, Antonio Guterres, que acompanhou o presidente Jorge Sampaio, disse que a CPLP deve se tornar um órgão que venha a intervir mundialmente de forma positiva, para dar fim ao que ele chamou de "ditadura política e econômica internacional".

A CPLP deve, disse ele, "ser capaz de influenciar a ordem mundial em todos os níveis, incluindo propostas de reformas no sistema das Nações Unidas, no Banco Mundial e no Fundo Monetário Internacional".

Chissano disse que o diálogo político e diplomático e a promoção da língua portuguesa são essenciais.

Outros importantes desafios dizem respeito ao vírus HIV e à AIDS, e o presidente Chissano pediu por políticas comuns de ação contra a epidemia.

Moçambique é considerada a nação menos afetada pela AIDS na região sul da África, com índices de infecção estimados em 14% da população, e cerca de 700 novas infecções diárias.

Chissano fez referências à situação política e militar em Angola, pediu garantias das Nações Unidas de que todas os países membros da ONU cumpram a resolução de impôr sanções ao movimento rebelde da UNITA.

"Apelamos à comunidade internacional para que respeite as sanções do Conselho de Segurança da ONU contra o movimento de Jonas Savimbi, líder da UNITA (movimento rebelde para a libertação de Angola), e continue a oferecer assistência humanitária ao povo angolano, vítima dos rebeldes", disse Chissano.

O presidente da Assembléia Nacional Angolana Roberto de Almeida, representante angolano na reunião, pediu por atenção especial aos participantes da CPLP.

"A situação em Angola deve receber prioridade máxima", disse o parlamentar.

O governo angolano vem lutando contra os rebeldes da UNITA desde 1975.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.

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