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Aids-Conferência: Mandela: Aids, uma das maiores ameaças para a humanidade


DURBAN, África do Sul, 14 jul (AFP) - O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela pediu uma ação urgente contra a Aids, ao encerrar esta sexta-feira, em Durban, a XIII Conferência Internacional sobre a Pandemia, a qual classificou como "uma das maiores ameaças que a humanidade enfrenta".

"Não nos enganemos: uma tragédia de proporções sem precedentes se estende na África", ressaltou o ex-presidente, acrescentando que para enfrentá-la, "deve ser feito algo com a maior urgência".

Mandela foi aplaudido pelos delegados, após pronunciar o discurso que encerrou a conferência de seis dias.

No discurso, Nelson Mandela evocou a polêmica sobre a orígem da Aids, mantida pelo presidente sul-africano Thabo Mbeki com os cientistas participantes.

"Muita atenção inútil se dedicou nesta conferência a um problema que, involuntariamente, nada tem a ver com os verdadeiros problemas de vida e morte que estamos enfrentando", disse.

"Ante a grave ameaça apresentada pelo VIH e pela Aids, devemos superar nossas diferenças e combinar nossos esforços para salvar nosso povo. Se não fizermos isso, a História nos julgará severamente", afirmou Mandela.

Acontecimento mais político dok que científico, a Conferência conseguiu, no entanto, seu principal objetivo: "romper o silêncio".

A dupla polêmica - sobre as causas da Aids e sobre a negativa do presidente Mbeki de tratar as mulheres grávidas com medicamentos para evitar o contágio do bebê no momento do parto - deu à Conferência de Durban uma ressonância muito superior a que tiveram as anteriores, o que significou um excelente suporte pedagógico para a áfrica, continente no qual continuam imperando os tabus e os preconceitos em relação à doença.

Ante as proporções do problema na África, onde - como assinalou Mandela - "a Aids por si só cobra mais vidas do que as guerras, a fome, as inundações e o malária", a preocupação se impõe no mundo inteiro.

Depois de anos de indiferença, os países ocidentais e as grandes agências internacionais tomam por fim consciência da terrível situação e parecem dispostos a conceder a ajuda financeira maior para lutar contra o problema.

De fato, as conseqüências econômicas da deonça já são imensas e ameaçam o bm-estar das gerações futuras: a Aids esvazia os campos e dizima a população em idade de trabalhar.

O dr. Peter Piot, director da ONUAIDS, deu uma idéia das necessidades: "Só na África sub-saariana, onde sequer se fala das multiterapias, seriam necessários 3 bilhões de dólares anuais para cuidar dos doentes". E isso quando grande parte dos 290 milhões de africanos sobrevivem com menos de um dólar por dia.

A França propôs em Durban a realização de uma conferência sobre o acesso aos tratamentos contra a Aids, e defendeu a organização de um fundo de solidariedade terapêutica "verdadeiramente universal".

Essa conferência será realizada em breve, muito antes da XIV Conferência Internacional que está prevista para 2002, em Barcelona (Espanha).

No entanto, o balanço científico não é muito otimista. A vacina, para a qual os cientistas dirigem seus esforços, estará disponível na melhor das expectativas dentro de cinco a sete anos e as caras "triterapias", acessíveis apenas aos países ricos, não estão isentas de efeitos colaterais. Em relação ao espermicida, que os cientistas esperavam transformar em "viruscida", ao invés de evitar a epidemia, favorece o contágio.

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