DURBAN, África do Sul, 12 jul (AFP) - Como se não bastasse o fato de o espermicida não oferecer proteção contra o vírus da Aids, as mulheres que o utilizaram tiveram uma taxa de contágio superior às que usaram um placebo.
Os resultados decepcionantes deste estudo internacional coordenado pelas Nações Unidas, realizado com o gel nonoxynol-9, foram apresentados esta quarta-feira em Durban, no terceiro dia da XIII Conferência Internacional Sobre a Aids.
Os autores do estudo consideram que o fracasso do teste está relacionado às irritações locais e às inflamações causadas algumas vezes pelo uso do espermicida. Ao provocar microlesões na mucosa vaginal, o produto abriria ao vírus a porta necessária para entrar no organismo.
"Acabou a pesquisa sobre este espermicida, mas retomaremos os trabalhos com outros produtos, que estão em etapa de desenvolvimento", declarou esta quarta-feira à AFP a médica Lut Van Damme, responsável pelo estudo no Instituto de Medicina Tropical de Amberes (Bélgica).
A médica estimou que, apesar do fracasso, os espermicidas continuam sendo considerados uma arma que poderá ter efeitos decisivos sobre a pandemia de Aids e constituir uma proteção contra o vírus em nível individual.
Os espermicidas são utilizados há 30 anos como contraceptivos. Segundo especialistas, eles também poderiam representar uma proteção contra o vírus da Aids para milhões de mulheres no mundo, que, por razões sociais, não podem impôr a seus parceiros o uso de preservativos.
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