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Aids-UNICEF: UNICEF pede uma "verdadeira guerra" contra a Aids

Agence France-Presse - Julho 12, 2000

DURBAN, África do Sul, 12 Jul (AFP) - O informe anual da UNICEF, "O progresso das nações 2000", publicado esta quarta-feira em Durban, é uma verdadeira "convocação de guerra" contra a Aids, que atinge dez milhões de jovens de menos de menos de 25 anos.

A cada minuto, seis jovens de menos de 25 anos são infectados pelo HIV em todo o mundo, diz o informe, apresentado pela diretora-executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Carol Bellamy, na XIII Conferência Internacional sobre a Aids, em Durban.

Os jovens de 15 a 24 anos representam um terço das pessoas soropositivas do mundo, ou seja, seis milhões de jovens infectados. E um número equivalente de crianças de menos de 15 anos ficarão órfãos por causa da aids antes do final deste ano. A grande maioria deles é formada por africanos, acrescenta o informe, que realça que as meninas correm risco dobrado de contágio pelo HIV, em relação aos meninos.

"A Aids está dizimando o mundo em desenvolvimento", denuncia a UNICEF, alertando que a África subsahariana é a região "mais ferozmente" atingida.

Em Botswana, "uma em cada três meninas adolescentes e um em cada 7 meninos entre 15 e 24 anos de idade estão contagiados pelo VIH, enquanto que uma em cada 4 meninas e 1 em cada 10 adolescentes varões" são soropositivos em Lesotho, África do Sul e Zimbábue. Em outros oito países da África subsahariana o ritmo de contágio é de "uma em cada dez meninas e um em cada 20 adolescentes varões", indica o informe.

Na América Latina, apenas o Haiti (4,9% para os meninos e 2,9% para as jovens adolescentes), a República Dominicana (2,6% e 2,8% respectivamente), Honduras (1,4 e 1,7 ) Panamá (1,7 e 1,4) e Guatemala (1,2 e 0,9) ultrapassam a casa de um por cento de pessoas de 15 a 24 anos com HIV-AIDS, diz o relatório.

"O que os jovens ignoram pode lhes custar a vida", afirma a UNICEF, especificando que "recentes pesquisas realizadas em 17 países expõem uma perigosa falta de conhecimento da parte dos jovenes sobre como se proteger" da Aids. As porcentagens de jovens que são incapazes de citar um método para se proteger do contágio da aids ou que ignoram que uma pessoa contaminada pode ter um aspecto saudável são alarmantes.

A UNICEF pede às autoridades sanitárias de todo o mundo uma educação contínua, desde a mais tenra idade e campanhas de informação em que "os destinatários das mensagens -- neste caso os jovens -- participem ativamente do planejamento destas campanhas".

O relatório da UNICEF se mostra mais otimista em relação à criação de vacinas, informando que as campanhas de vacinação salvam "todos os anos as vidas de 2,5 milhões de crianças" e que, desde 1970, "a cobertura mundial aumentou de menos de 10% até mais de 75%".

"Desde a erradicação da varíola, há 20 anos, nada ilustra melhor o poder da imunização que o surpreendente sucesso da campanha de 12 anos para erradicar a poliomielite", doença que se encontra em vias de eliminação e que desapareceu totalmente da América e da Europa, à exceção da Turquia.

No entanto, o infome da UNICEF lembra que ainda há "30 milhões de recém nascidos nos países em desenvolvimento que não recebem a proteção da imunização de rotina" e que estes "fazem parte dos 11 milhões de crianças que morrem todos os anos de enfermidades de possível prevenção".

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