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AIDS-Conferência: Jacques Chirac sugere uma conferência sobre a solidariedade no tratamento da AIDS

Agence France-Presse - Julho 10, 2000

DURBAN, África do Sul, 10 jul (AFP) - O presidente francês Jacques Chirac propôs esta segunda-feira a realização de uma conferência sobre o acesso aos tratamentos contra a AIDS, defendeu a organização de um fundo de solidariedade terapêutica "verdadeiramente universal" e enfatizou que considera o tratamento das mulheres grávidas "uma prioridade absoluta".

Em uma mensagem lida esta segunda-feira pela secretária de Estado francesa da Saúda, Dominique Gillot, em Durban (África do Sul), onde se realiza a XIII Conferência Internacional sobre a AIDS, Chirac precisou que "essa conferência sobre o acesso aos tratamentos reuniria os países em desenvolvimento, os provedores de fundos, as organizações não-governamentais e laboratórios, e fixaria um marco, mobilizaria meios de ação, superaria obstáculos e iniciaria projetos".

"Dentro de alguns dias, em Okinawa (Japão)", por ocasião da reunião de cúpula do G8, "pediremos o apoio de nossos interlocutores", indicou o chefe do Estado francês, em sua mensagem.

"Catástrofe humana e médica, a AIDS também é a maior causa da regressão econômica e social que o mundo em desenvolvimento já enfrentou em muito tempo", afirmou Chirac.

"Não pode haver duas maneiras de lutar contra a AIDS, o tratamento no Norte e a prevenção no Sul, quando 90 % das pessoas contaminadas vivem no mundo em desenvolvimento, e é indigno aceitar uma epidemia tratada de duas maneiras diferentes", acrescentou.

"É preciso fazer todo o possível para que os novos tratamentos sejam estendidos aos povos que têm a necessidade mais urgente, na África, na Ásia e no resto do mundo", precisou o chefe de Estado, defendendo um fundo de solidariedade terapêutica "verdadeiramente universal".

"Seria em vão falar de ética, de direitos universais, se nos mostrarmos incapazes de organizar a solidariedade mundial contra a AIDS", enfatizou.

O presidente francês afirmou ainda que o tratamento das mulheres grávidas constitui, em sua opinião, "uma prioridade absoluta".

A África do Sul, país anfitrião da conferência sobre a AIDS, não dá às mulheres grávidas portadoras do vírus da AIDS os medicamentos necessários em função do alto custo dos mesmos, mas também alegando sua eficácia "não demonstrada" e seus possíveis efeitos colaterais.

Cada vez mais reclamados no país, esses medicamentos, em particular o AZT e a Nevirapina, permitiriam, se fossem adminsitrados, evitar grande parte da contaminação dos bebês por suas mães no momento do parto.

Ontem, ao apresentar seu plan de luta contra a AIDS e pobreza, o presidente sul-africano Thabo Mbeki não evocou o problema das mulheres grávidas soropositivas.

Segundo Edwin Cameron, juiz do Tribunal Supremo sul-africano que recentemente anunciou que é homossexual e soropositivo e que inaugurou a sessão plenária da conferência hoje, "5.000 bebês nascem soropositivos cada mês na África do Sul porque suas mães não puderam receber tratamento".

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