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AIDS-Conferência: AIDS: A vacina é uma necessidade imperiosa
Philippe Coste
Agence France-Presse - Julho 6, 2000

PARIS, 6 jul (AFP) - Cerca de duas décadas depois da aparição dos primeiros casos de AIDS nos Estados Unidos, a elaboração de uma vacina é reconhecida finalmente como uma necessidade imperiosa pelos cientistas, às vésperas da XIII Conferência Internacional sobre esta doença, que será inaugurada no próximo domingo, em Durban (África do Sul).

"Prioridade absoluta" e "única solução possível" para vencer a epidemia que está progredindo num ritmo de mais de 16.000 novas contaminações por dia, avaliaram, em maio passado, os cientistas reunidos no Instituto Pasteur de Paris, no primeiro de uma série de encontros internacionais sobre as "estratégias da vacina".

Mas esse ponto de vista não foi sempre tão amplamente compartilhado: durante anos, os virólogos afirmavam que a busca de uma vacina era menos importante do que a preparação de medicamentos e que, de qualquer maneira, esse aspecto jamais interessaria aos laboratórios.

A análise que prevalecia então era que as firmas farmacêuticas jamais investiriam os milhões de dólares necessários para preparar um projeto sobre o qual corriam o risco de perder os direitos de propriedade antes de dar lucros.

Enquanto isso, a epidemia foi sofrendo mudanças: depois de ter afetado as populações influentes e acomodadas dos países ocidentais - que acabaram obtendo a chamadas "triterapias" -, a doença estendeu-se rapidamente para os países pobres.

Segundo as estimativas mais sérias publicadas durante a conferência Lusaka (Zambia), somente 1,5 % do total de somas destinadas à luta contra a AIDS foram dedicas no ano passado à pesquisa de uma vacina.

Como assinalou a diretora da UNICEF, Carol Bellamy, estes dados servem para ilustrar o pouco interesse sobre a luta contra o vírus no Terceiro Mundo: os Estados Unidos gastam todos os anos 880 milhões de dólares para lutar contra seus 40.000 novos casos anuais de AIDS, enquanto que a África, no mesmo período, enfrenta quatro milhões de novos casos e dispõe de menos de 160 milhões de dólares.

A mudança de atitude surgiu de uma associação, a IAVI (International AIDS Vaccine Initiative), presidida pelo médico americano Seth Berkley, que resolveu lutar pelo desenvolvimento de uma vacina preventiva segura, eficiente e financeiramente acessível para todos.

A IAVI, que dispõe de importantes fundos procedentes de doações, decidiu trabalhar recorrendo, como fazem os demais grupos farmacêuticos, às pesquisas de pequenas firmas de biotecnologia que parecem promissoras e com as quais firmam acordos prévios de posse de direitos.

Se os esforços de uma dessas firmas derem resultados, a mesma poderá fixar livremente seus preços nos países industrializados, mas não poderá ultrapassar mais de 10 % de seu preço de custo nos países em vias de desenvolvimento. E se uma grande firma farmacêutica comprar a patente, estará obrigada a respeitar as condições estabelecidas pela IAVI.

Agora que a vontade e os fundos estão reunidos, pode-se trabalhar na elaboração de uma vacina, o que deverá levar entre seis e dez anos.

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