PARIS, 5 jul (AFP) - A XIII Conferência Internacional sobre a Aids, que vai começar no próximo domingo em Durban (África do Sul) - a primeira que se realiza no continente africano desde o surgimento da epidemia -, terá provavelmente uma conotação muito mais política que as anteriores, em um país onde as controvérsias sobre a enfermidade se sucedem.
O presidente sul-africano, Thabo Mbeki, emendou suas declarações "revisionistas" em relação à orígem da Aids, o que não impediu que cinco mil cientistas de todo o mundo lhe respondessem oficialmente que está enganado.
Entretanto, Mbeki não modificou em absoluto sua posição sobre as importações de AZT, o medicamento utilizado para prevenir a transmissão do vírus, que continua proibido no país em razão do suposto "perigo" que representa.
Recentemente, o presidente sul-africano optou por outro cavalo de batalha, ao denunciar a lentidão dos países industrializados em aliviar a dívida dos países africanos, quando o continente - em que vivem (e morrem) sete ou oito de cada dez enfermos de Aids - necessita imperativamente de recursos para lutar contra a enfermidade.
Para dar mais ressonância ao protesto e destacar a importância da conferência de Durban, a Onusida, agência das Nações Unidas encarregada de coordenar a luta contra a Aids, acaba de anunciar que a África do Sul é agora o país mais afetado pela pandemia.
Efetivamente, a África do Sul, país de 40 milhões de habitantes, conta com 4,2 milhões de enfermos e soropositivos e a enfermidade avança ao ritmo vertiginoso de 1.700 novas contaminações por dia.
Poucos dias antes da divulgação desses dados, o Governo sul-africano lançou um plano quinquenal de luta contra a Aids baseado na prevenção, no diagnóstico precoce e no acompanhamento da enfermidade que, segundo um recente estudo independente, matará 250.000 sul-africanos este ano.
As sucessivas acusações do presidente sul-africano já tiveram um efeito positivo: começaram a baixar os preços dos medicamentos antiAids que, em palavras da ONU, estão "fora do alcance da maioria dos africanos".
Em maio passado, depois de anos de inúteis palavras e veladas ameaças, a Onusida anunciou que tinha sido aberto um diálogo entre a ONU e cinco indústrias farmacêuticas (Boehringer Ingelheim, Bristol-Myers Squibb, Glaxo Wellcome, Merck and Co, F.Hoffmann La Roche) para "identificar os meios de ampliar o acesso aos tratamentos, assegurando ao mesmo tempo uma utilização racional, financeiramente acessível, segura e sem perigo".
Paralelamente, depois de anos de adiamentos ou de indiferença, os países ocidentais e as grandes organizações internacionais se dão conta finalmente de que o desabamento humano e econômico de uma parte do mundo tem necessariamente repercussões também para eles e parecem dispostos a contribuir economicamente para evitá-lo.
Esta tomada de consciência não impede que continuem circulando rumores e crenças errados. E os cientistas reunidos em Durbán deverão, mais uma vez, rebatê-los se quiserem que sua mensagem de prevenção seja levada a sério por todos.
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