GENEBRA, 27 jun (AFP) - No fim de 1999, cerca de 34,3 milhões de pessoas estavam contaminadas com o vírus da AIDS, das quais 24,5 milhões na África subsaariana, segundo um informe da ONUAIDS publicado esta terça-feira, em Genebra. "A menos que ocorra um milagre, a maioria desses 34,3 milhões de pessoas vai morrer nos próximos dez anos", destaca o estudo.
Cerca de 5,4 milhões de pessoas contraíram o vírus da AIDS em 1999 e 2,8 milhões de pessoas com AIDS morreram nesse ano. A quantidade total de falecimentos desde o início da epidemia chega a 18,8 milhões.
"Atualmente, a AIDS é claramente uma crise de desenvolvimento e, em algumas regiões do mundo, está se convertendo rapidamente numa crise de segurança", disse Peter Piot, diretor executivo da ONUAIDS, no prefácio do informe. A introdução do documento destaca o caráter "totalmente desestabilizador" da AIDS "nos sistemas geopolíticos já frágeis e complexos".
"O impacto devastador da AIDS nas bases sociais, econômicas e demográficas do desenvolvimento não tem comparação", afirmou Piot depois de ter evocado as conseqüências da pandemia nos índices de mortalidade infanto-juvenil e materna, na expectativa de vida e no crescimento econômico.
Na América Latina, os países das ilhas caribenhas têm as mais elevadas proporções de portadores do vírus HIV e de enfermos adultos em relação à população adulta total. O HIV está dizimando as populações de várias ilhas caribenhas. No Haiti, mais de 5% dos adultos vivem com o HIV e nas Bahamas a texa chega a 4%. Honduras, Guatemala e Belize registram um desenvolvimento rápido da AIDS entre os heterossexuais, assim como no Brasil.
A ONUAIDS destaca que, na América Latina, a vigilância sistemática do HIV é pouca entre os grupos que apresentam comportamentos sexuais de alto risco, como, por exemplo, os homossexuais. Mas é na África subsaariana que o avanço da doença é mais agudo: das 5,4 milhões de novas contaminações por HIV registradas em 1999, 4 milhões foram nessa região. Em Zâmbia, Lesoto, Botsuana, Suazilândia, Zimbábue, Namíbia e África do Sul, um de cada cinco adultos é portador do vírus da AIDS.
Em 1991, as estimativas previam que até o fim do decênio, a África subsaariana registraria nove milhões de pessoas infectadas e cinco milhões de mortes. Mas, como destaca a ONUAIDS, as cifras atuais são três vezes maiores. A África do Sul, com 4,2 milhões de soropositivos, tem o maior número absoluto de pessoas contaminadas no mundo.
Em comparação com os números da África, os da Ásia parecem alentadores. A taxa de contaminação entre pessoas de 15 a 49 anos é menor do que 1% em três países: Camboja, Birmânia e Tailândia. Na Indonésia, quarto país mais povoado do mundo, menos de cinco em cada 10.000 pessoas vivem com HIV e, nas Filipinas, a proporção é de sete para cada 10.000.
Em alguns países muito povoados, entretanto, mesmo taxas baixas de contaminação significam quantidades imensas de pessoas vivendo com o vírus. Na Índia, onde sete de cada 1.000 adultos estão infectados, 3,7 milhões de pessoas vivem com AIDS. É um número maior do que o de qualquer outro país do mundo, excetuando-se a África do Sul.
Na Europa Oriental e na Ásia Central, o uso de drogas continua sendo a principal forma de contaminação pelo HIV.
O informe ONUAIDS é publicado a cada dois anos. O de 2000 precede a Conferência Internacional sobre AIDS, que acontecerá de 9 a 14 de julho em Durban (África do Sul).
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