SÃO PAULO, 17 jun (AFP) - O governo brasileiro criticou a "cúpula conservadora" da Igreja Católica e entrou na polêmica, até então restrita aos meios eclesiásticos, sobre o uso da camisinha. O motivo da crítica do governo foi a oposição da Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) ao uso da camisinha para prevenir a AIDS.
"O ministério da Saúde entende que a abstinência sexual, a castidade e a fidelidade são recomendações que fazem parte das atribuições morais e espirituais da Igreja, mas esta não pode confundir dogma com ciência, receitando ou não preservativos", afirmou em uma nota divulgada à imprensa Paulo Roberto Teixeira, coordenador nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis.
Segundo o coordenador, a opinião expressa pela CNBB não representa a dos religiosos que estão em contato com a população, mas a da "cúpula conservadora". Paulo Roberto ainda disse que os brasileiros não deveriam dar ouvidos às recomendações da Conferência.
A polêmica surgiu depois que, em um encontro de pastorais de todo o país para debater a AIDS, alguns padres disseram que a Igreja deveria aceitar a camisinha, que eles qualificavam de "mal menor". A CNBB reagiu e divulgou uma nota onde dizia que "do ponto de vista moral católico, não é aceitável a propagação do uso do preservativo".
000617
AF000659_PT
© Agence France-Presse 2000. Todos o direitos são de propriedade exclusiva da AFP. Os artigos e fotografias não podem ser publicados, transmitidos, reescritos para transmissão ou publicação, ou redistribuidos direta ou indiretamente por nenhum outro órgão de comunicação sem a autorização prévia por escrito da AFP. O material informativo da AFP não pode ser arquivado total ou parcialmente em um computador, salvo para uso pessoal (e não comercial). A AFP não será responsável por nenhum atraso, imprecisão, erros ou omissões em nenhum de seus materiais informativos ou na transmissão ou entrega em sua totalidade ou em parte, ou por qualquer dano em geral. Como se trata de um serviço de notícias, a AFP não tem autorizações particulares das pessoas, grupos ou entidades tratados em suas fotografias ou gráficos citados em seus textos. Tampouco tem autorização dos proprietários de qualquer marca registrada ou matérias com direito de autor incluídos nas fotografias ou materiais de AFP. Em consequência, o usuário será o único responsável pela obtenção de qualquer autorização por parte de qualquer indivíduo ou entidade para uso dos artigos, fotos ou gráficos da AFP. http://www.afp.com/