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OIT-ONUAIDS: Aids deixará 42 milhões de órfãos em 2010

Agence France-Presse - Junho 8, 2000

GENEBRA, 8 jun (AFP) - O mundo conta atualmente com 12 milhões de órfãos devido a aids e, dentro de dez anos, este número chegará a 42 milhões, declarou hoje em Genebra Peter Piot, diretor executivo do Programa das Nações Unidas contra a Aids (ONUAIDS).

Piot fez a declaração durante a conferência anual da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O diretor geral, Juan Somavía, firmou quinta-feira um acordo de cooperação com a ONUAIDS.

Segundo Piot, todos os programas da OIT devem agora levar em conta o fator Aids e seu impacto no mundo trabalhista. A OIT deve especialmente atuar no sentido de despertar entre trabalhadores e empregadores maior consciência do que é a aids.

Deu ênfase, principalmente, ao apoio às crianças, às mulheres e aos trabalhadores imigrantes confrontados ao flajelo da aids.

"Também existem os que foram deixados pelo caminho: os órfãos de pais vítimas da aids. Com mais freqüência, a filha mais velha é a que mais sofre, já que se vê forçada a deixar o colégio, para se casar, ou se prostituir, porque passa a ser o sustento da família", destacou Piot.

O diretor da ONUAIDS recomendou iniciativas especiais para apoiar esses órfãos com o encargo da família, respeitando-se seus direitos enquanto crianças.

"É uma das prioridades para nosso parceiro UNICEF, e o programa da OIT para a eliminação do trabalho infantil deve desempenhar maior papel para atenuar esta trágica conseqüência da aids", disse.

Noventa e cinco por cento das pessoas infectadas pelo vírus HIV vivem nos países em desenvolvimento; 70% estão na África subsaariana, que só representa 10% da população mundial. Noventa por cento das pessoas mortas por causa da aids vivem nessa região do globo, recordou Piot.

Mas a África não é o único continente em questão -precisou-, destacando que a Ásia conta com 6,5 milhões de pessoas soropositivas e América Latina e Caribe, com 1,7 milhão.

A ONUAIDS não aceitou as declarações do presidente da Namíbia, Sam Nujoma, segundo quem o vírus HIV -que originou a epidemia da aids- foi fabricado artificialmente pelo homem.

"O HIV faz parte dos vírus mais estudados no mundo pelos cientistas e essa hipótese jamais foi comprovada cientificamente", destacou a agência da ONU.

Segundo a ONUAIDS, essas alegações não são novas. "As hipóteses segundo as quais o vírus HIV foi fabricado pelo homem em laboratório como arma biológica foram apresentadas desde o começo da epidemia".

Durante entrevista à imprensa em Genebra, o chefe de Estado namíbio havia qualificado a Aids de "doença fabricada pelo homem". "A aids começou em alguns Estados envolvidos nessa guerra biológica", afirmou.

"Os que possuem órgãos poderosos de imprensa fizeram os africanos acreditar que a aids nasceu na África central, onde os negros comem macacos verdes e assim teriam infectado o mundo inteiro", segundo Sam Nujoma.

A ONUAIDS recordou que o vírus HIV pertence ao grupo dos retrovírus que estão presentes nos animais, aí incluídos os macacos, e também no homem.

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