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Malásia-Aids: A Aids pode fazer a Ásia perder vinte anos de desenvolvimento econômico

Agence France-Presse - out 25, 1999

KUALA LUMPUR, 25 out (AFP) - A pandemia da Aids poderá prejudicar os êxitos obtidos pela economia asiática dos últimos 20 anos se os governos abandonarem seus programas de proteção à saúde pública em razão da crise, advertiu Martha Ainsworth, funcionária do Banco Mundial (BD).

Ainsworth indicou que a Aides afeta seriamente a Tailândia, o Camboja, a Birmânia, a Malásia e o Sul da China desde antes de de meados de 1997, quando começou a crise financeira asiática.

"Nesses países, o VIH e a Aids ameaçam ofuscar lentamente os avanços das condições de vida e limitar, ou inclusive eliminar, os benefícios do milagre econômico", declarou a especialista ante o V Congresso Internacional sobre a Aids na Ásia e no Pacífico, no qual participam representantes de 67 países.

"Desde já, a esperança de vida retrocedeu dois ou três anos nos três dos citdos países", acrescentou Ainsworth, especialista nas repercussões da Aids na economia doméstica.

A funcionária recordou que a Aids afeta principalmente os setores "mais produtivos da sociedade" e significará "uma pesada carga para os sistemas de saúde".

Por isso a prevenção da doença é um elemento-chave do desenvolvimento, insistiu.

Outros participantes da conferência destacaram que a região Ásia-Pacífico conta aproximadamente com sete milhões de pessoas infectadas com o vírus HIV, e que a maioria ignora isso. Segundo os especialistas em saúde pública, a gravidade da pandemia na Ásia coloca esta região em segundo lugar, depois da África.

Ainsworth reconheceu, no entanto, que a maioria dos países asiáticos não dispõem ainda de cifras relativas à influência da recessão na extensão da enfermidade.

No que diz respeito à Tailândia, o país da região mais afetado pela doença, as cifras de 1998 mostram que "os prognósticos mais pessimistas não foram cumpridos".

A Tailândia foi o primeiro país asiático que organizou um programa de luta contra a Aids, e este programa resultou ser o mais eficiente, estimou a especialista.

Em compensação, a Indonésia e outros países afetados pela recessão foram incapazes de manter seus orçamentos sociais. A especialista do Banco Mundial insistiu com os governos a prosseguir com seus programas de prevenção da doença, em particular os destinados às camadas mais pobres da população.

"Sem uma ação decidida dos governos, a epidemia não poderá ser detida", enfatizou.

Neste domingo, Peter Piot, diretor do Programa de Luta contra a Aids das Nações Unidas (ONUAIDS), afirmou que a crise econômica da Ásia foi um acelerador da doença, já que favorece a prostituição e, ao mesmo tempo, reduz o acesso à atenção médica.

Segundo cifras da ONUAIDS, na região Ásia-Pacífico são infetados anualmente pelo VIH 700.000 jovens.

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