LUSAKA, Zâmbia, 15 set (AFP) - O fantasma recorrente de todos os congressos sobre a AIDS, a possibilidade de uma vacina contra o mal, ressurgiu nesta quarta-feira em Lusaka, no contexto da 11ª Conferência Internacional sobre a AIDS na África, com o anúncio da próxima divulgação de uma pesquisa britânica-queniana.
"Esta candidato a vacina, a primeira em associação com pesquisadores africanos, será a primeira que visa a uma das cepas mais frqüentes no continente", informou Seth Berkley, presidente do IAVI (International AIDS Vaccine Initiative).
Criado em 1996, o IAVI tem o objetivo de desenvolver uma vacina preventiva segura, eficaz e financeiramente acessível para que possa ser usada em qualquer parte do mundo.
O conselho científico desta organizaçãoi reune os maiores virólogos do mundo, e em seun conselho de administração figuram personalidades como Lee Smith, ex-presidente de Levi Strauss, Peter Piot, diretor da ONUAIDS OU Michele Barzach, ex-ministra da saúde francesa.
Os testes da potencial vacina devem começar em janeiro de 2000 nas universiades de Nairobi e Oxford. Um grupo de 40 voluntários sadios quenianos e igual número de britânicos participarão dos testes da "fase 1", destinados a verificar que o produto é seguro e que provoca a resposta imunológica em seu organismo.
Um segundo teste, desenvolvido pelos Estados Unidos e África do Sul, deve acontecer em seguida. "Nos próximos anos prevemos fazer três ou quatro testes de vacinação de forma associada", precisou Seth Berkley.
"O único modo realista de acabar com a epidemia de AIDS é aperfeiçoar uma vacina, e isso deve ser uma prioridade científica e política", agregou.
O presidente do IAVI recordou que somente 1,5 % do total do dinheiro gasto na luta contra a doença, ou seja, 250 a 300 milhões de dólares, é destinado a pesquisa de uma vacina. Uma procura frente a qual a indústria farmacêutica se mostra reticente, com medo de se ver obrigada a vender o medicament a baixo peço e não recuperar o gasto nem conseguir lucro.
Mas também há sérios obstáculos científicos: o vírus da AIDS é extremamente variável e existem várias formas, em diferentes partes do mundo. Portanto, a proteção deve ser contra vários tipos de vírus, não contra apenas um.
Sems er revolucionário - já que há testes de vacinação na Europa e Estados Unidos -, o anúncio de uma experiência que associa o Norte e o Sul soa como um alívio no mar de más notícias que é Lusaka, assim como um consolo frente a que alguns oradores não vacilam em classificar de "egoísmo ocidental".
"Os Estados Unidos gastam a cada ano 880 milhões de dólares para lutar contra seus 40.000 novos casos anuais de AIDS, enquanto a África, que no mesmo período deve enfrentar quatro milhões de novas infecções, dispõe de menos de 160 milhões de dólares, recordou a diretora da UNICEF, Carol Bellamy, estimando que "isso é simplesmente inaceitável".
Esquecida em parte por causa dos caros "coquetéis" nos países desenvolvidos, a epidemia tomou vulto inacreditável na África e no ano passado fpi dez vezes mais mortífera que as guerras, matando mais de dois milhões de pessoas.
A AIDS está transformando os países da África subsahariana em "campo de extermínio", declarou Carol Bellamy, que pediu uma ajuda maciça".
Atualmente, na África, mais de 8 milhões de crianças perderam suas mães ou seus dois pais por causa da AIDS, e acreditam que cifra chegue a 13 milhões no ano 2000.
Segundo a ONUAIDS, de cada dez pessoas infectadas pelo vírus da AIDS em 1998, sete vivem na África subsahariana, e de cada dez crianças de menos de 15 anos contaminadas, nove vivem também nessa região do mundo.
Desde o começo da epidemia, 83 % das mortes vinvuladas à AIDS aconteceram na áfrica austral e pelo menos 95 % dos "órfãos da AIDS" vivem nesta região.
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