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China e Índia estão em ponto crucial do combate à Aids

Agence France-Presse - Setembro 10, 2004
Richard Ingham

LONDRES, 10 set (AFP) - China e Índia estão num ponto crucial na luta contra a Aids, em que a doença está prestes a sair de grupos marginais para contaminar a população em geral, alertaram nesta sexta-feira especialistas reunidos numa conferência de dois dias em Londres, organizada pela Sociedade Real de Medicina e pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos.

No final de 2003, a China tinha cerca de 850 mil pessoas vivendo com o vírus da imunodeficiência humana (HIV) ou Aids, disse durante a conferência Shao Yiming, especialista chefe do Centro Nacional Chinês para Controle e Prevenção de DST/Aids.

A taxa de infecção chinesa hoje é muito pequena se comparada com a população de 1,2 bilhão de habitantes, mas a epidemia é tão complexa e rápida que os especialistas "estima que em 2010 possa haver 10 milhões de casos.

"Estamos num estágio crítico no qual a epidemia pode se disseminar de grupos de alto-risco para a população em geral", alertou Shao.

Os primeiros casos de HIV na China surgiram no final dos anos 80 entre usuários de drogas injetáveis na província de Yunnan (sudoeste), vértice de narcóticos da região do Triângulo Dourado, afirmou.

Em meados dos anos 90, uma grande epidemia surgiu na província central de Henan, causada por agulhas contaminadas utilizadas nas doações de sangue.

O site noticioso chinês Sina.com informou nesta sexta-feira que 10% das 280 mil pessoas que venderam sangue em Henan nesse período estão contaminadas com o HIV, um número que é quase o dobro dos 14.500 anteriormente informados pela província.

A epidemia agora está florescendo ao longo da badalada costa sudeste, impulsionada pela mistura de prostitutas e trabalhadores migrantes.

Já quanto à Índia - que tem um bilhão de habitantes e é o segundo país mais populoso, depois da China -, o especialista americano Thomas Quinn disse que "não há dúvidas de que o país enfrenta uma crise na saúde pública".

Informações sobre a epidemia são tão primárias e pouco confiáveis que "ninguém sabe qual é a situação real", disse Quinn, que há 18 anos trabalha com Aids naquele país e também é o presidente do braço internacional de Aids e DST do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID, na sigla em inglês).

Segundo várias estimativas de agências nacionais e internacionais, a Índia tem entre cinco e oito milhões de soropositivos, 60% dos quais estão com tuberculose.

Em 2010, esse número pode chegar a 20-25 milhões, de acordo com uma estimativa de 2002 do Conselho Nacional de Inteligência americano (NIC, na sigla em inglês).

"A Índia tem pelo menos 12% do total de infecções no mundo. Um quarto dos novos infectados no mundo é indiano", continuou Quinn.

A prostituição é o maior risco na Índia. Os homens são infectados por profissionais do sexo e quando voltam para casa contaminam suas esposas, que podem transmitir a doença para os bebês se estiverem grávidas.

Entre as prostitutas em Mumbai, "as taxas de infecção dispararam... 60-70% das profissionais do sexo lá têm HIV", afirmou.

Quinn disse que depois de anos de negligência, as autoridades indianas finalmente estão dando um forte impulso político ao combate à epidemia, mas a indústria farmacêutica do país - maior produtor de medicamentos genéricos do mundo - ainda precisa desempenhar seu papel.

"O Triomune é mais caro na Índia do que na África do Sul", afirmou, em alusão ao coquetel genérico anti-HIV produzido pelos Laboratórios Cipla, que os ativistas antiAids sul-africanos afirmam que pode ser comprado ao preço de 150 dólares ao ano por pessoa.

"Ele continua custando cerca de 500 dólares por ano na Índia, o que é muito mais do que muitos pacientes podem pagar", concluiu.

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