BANGCOC, 9 jul (AFP) - Quase 20.000 cientistas, altos funcionários de governo, membros de associações de luta contra a Aids e doentes de todo o mundo se reunirão no domingo, em Bangcoc, Tailândia, para participar na XV Conferência Internacional sobre a Aids, que terá como tema o "acesso de tratamentos para todos", indissociável de um pedido de mais fundos.
O evento bienal deve fazer uma análise da evolução da doença, dos tratamentos, seu custo humano e suas repercussões econômicas. A XV Conferência sobre a enfermidade, que acontece depois das de Durban (2000) e Barcelona (2002), é a maior organizada até hoje.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, o ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela, os atores Richard Gere, Ashley Judd e Rupert Everett, a cantora Dionne Warwick, entre outras personalidades, utilizarão sua notoriedade em favor do combate à epidemia.
Apesar dos militantes terem convocado manifestações, as autoridades tailandesas, que mobilizaram apenas 3.500 policiais para o evento, parecem estar mais preocupadas com os riscos de engarrafamento na metrópole de 10 milhões de habitantes do que com eventuais distúrbios.
A Conferência se reúne em um contexto de mobilização internacional, com mais verbas destinadas ao combate da doença, uma tomada de consciência por parte dos governos mais envolvidos, como China e África do Sul, e de considerável redução dos custos dos tratamentos anti-retrovirais, graças à produção de medicamentos genéricos.
Apesar disso, a progressão do vírus continua. No ano passado, 4,8 milhões de pessoas contraíram o HIV. O panorama fica ainda pior quando se lembra que não há esperanças de elaboração de uma vacina a curto prazo e que 93% dos enfermos mais graves continuam sem acesso a qualquer tratamento.
Uma geração inteira nasceu e chegou à idade adulta desde o surgimento dos primeiros casos da Aids, em 1981.
Desde então, a enfermidade se espalhou por todo o planeta e matou mais de 20 milhões de pessoas, tornando-se a maior epidemia da história da humanidade, nas palavras de Peter Piot, diretor-executivo da Onuaids, que organismo que reúne cinco agências das Nações Unidas, o Banco Mundial e a Organização Mundial da Saúde (OMS).
No final do ano passado, 38 milhões de pessoas eram soropositivas ou sintomáticas (câncer, tuberculose, pneumonia), segundo um relatório da Onuaids publicado esta semana.
A África continua sendo o continente mais afetado - a Aids reduziu a expectativa de vida a 49 anos na África austral -, mas o leste europeu registra uma gravíssima extensão da epidemia e a Ásia, começando por Índia e China, é uma preocupação crescente.
Desde a Conferência de Barcelona, que conseguiu atrair fundos para a luta contra a Aids, o VIH matou seis milhões de pessoas.
Em Bangcoc, os especialistas não esperam grandes revelações médicas e os debates serão centrados, principalmente, na questão do acesso ao tratamento, depois da comprovação de que os retrovirais permitem que os pacientes sobrevivam por mais tempo.
A OMS colocou em prática no ano passado o plano "3X5", que prevê que até 2005 o tratamento com retrovirais chegará a três milhões de enfermos nos países em desenvolvimento.
Porém, o dinheiro é a chave do problema. Para os especialistas, a conferência de Bangcoc deve significar a manutenção de uma forte defesa da luta contra a Aids.
De apenas 300 milhões de dólares em 1996, os financiamentos passaram a 4,7 bilhões no ano passado. Porém, segundo os analistas, serão necessários 20 bilhões em 2007 para enfrentar a epidemia.
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