agence france-presse
click here to return to agence france-presse main menu
DonateNow



Estados Unidos no banco dos réus na conferência sobre a Aids

Agence France-Presse - Julho 14, 2004
Jack Barton

BANGCOC, 14 jul (AFP) - Os Estados Unidos voltaram esta quarta-feira ao banco dos réus na Conferência sobre a Aids em Bangcoc, onde a Europa, como a França já tinha feito na véspera, lhe pediu para juntar-se a um acordo internacional sobre os medicamentos genéricos a baixo preço.

O representante americano foi vaiado por manifestantes, que qualificaram de "vergonhosa" a política de seu país em matéria de Aids.

"A mensagem de Chirac (o presidente francês Jacques Chirac) representa a mensagem da Europa em geral", declarou à AFP Lieve Fransen, chefe da delegação européia nesta conferência internacional, que se realiza a 40 km da capital tailandesa e se prolongará até sexta-feira.

Em uma mensagem lida por um ministro francês, Chirac estimou na véspera que "obrigar alguns países a renunciar" a medicamentos genéricos a baixo preço "aproveitando negociações comerciais bilaterais seria uma chantagem imoral".

O presidente da França não citou os Estados Unidos, mas a referência foi clara. Também desejou que se "aplicasse o acordo sobre os genéricos para consolidar a queda dos preços".

Os Estados Unidos foram o único dos 144 países membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) a bloquear em dezembro de 2002 um acordo que dava às nações em desenvolvimento sem capacidade de produção isenções dos direitos que protegem as patentes industriais, para que possam importar medicamentos genéricos a melhor preço.

Este acordo foi concretizado depois da declaração inicial adotada na reunião ministerial da OMC em Doha (Qatar) em 2001.

Os Estados Unidos preferem passar pelos tratados bilaterais. "O perigo é que os Estados Unidos firmem acordos bilaterais importantes que não sigam os acordos que todos nós alcançamos em Doha", acrescentou Fransen, responsável pelo desenvolvimento social e humano na Comissão Européia.

"Estamos plenamente convencidos da necessidade de um enfoque multilateral e não bilateral e da necessidade de fazer todo o possível para que os preços sejam acessíveis aos mais pobres", disse, acrescentando que isto "significa também antepor a saúde pública à proteção" das patentes.

O acordo de Doha fez retroceder o custo dos tratamentos antiAids de mais de 10.000 dólares anuais a um dólar diário atualmente.

Por outra parte, Brasil, China, Nigéria, Rússia, Ucrânia e Tailândia chegaram a um acordo em Bangcoc para acelerar a produção de genéricos destinados a 10 milhões de soropositivos que estão à espera de tratamento nesses países.

No mundo, há atualmente uns 38 milhões de soropositivos, seis milhões dos quais precisam de tratamento urgente, segundo as Nações Unidas.

O coordenador americano da luta contra a Aids, Randall Tobias, foi vaiado esta quarta-feira por manifestantes liderados pela associação francesa Act Up. Em um discurso, assegurou que os Estados Unidos apóiam os medicamentos a baixo preço "seja qual for sua origem e seu produtor".

"Mas os Estados Unidos não terão uma norma para seus próprios cidadãos e uma menos elevada para os enfermos no estrangeiro", acrescentou, retomando um argumento dos grandes laboratórios farmacêuticos, que acusam os genéricos de ser menos eficazes.

Os Estados Unidos já tinham sido criticados na véspera pelo secretário geral da ONU, Kofi Annan, que pediu a Washington para destinar tantos recursos à luta contra a Aids como destina à guerra contra o terrorismo.

Em Washington, Richard Boucher, porta-voz do Departamento de Estado, respondeu às críticas, afirmando que os esforços americanos "superam amplamente os de qualquer outro membro da comunidade internacional".

Boucher lembrou que a contribuição americana ao Fundo Mundial de Luta contra a Aids representa 36% do total das contribuições.

040714
AF0407D1_PT


© Agence France-Presse 2004. Todos o direitos são de propriedade exclusiva da AFP. Os artigos e fotografias não podem ser publicados, transmitidos, reescritos para transmissão ou publicação, ou redistribuidos direta ou indiretamente por nenhum outro órgão de comunicação sem a autorização prévia por escrito da AFP. O material informativo da AFP não pode ser arquivado total ou parcialmente em um computador, salvo para uso pessoal (e não comercial). A AFP não será responsável por nenhum atraso, imprecisão, erros ou omissões em nenhum de seus materiais informativos ou na transmissão ou entrega em sua totalidade ou em parte, ou por qualquer dano em geral. Como se trata de um serviço de notícias, a AFP não tem autorizações particulares das pessoas, grupos ou entidades tratados em suas fotografias ou gráficos citados em seus textos. Tampouco tem autorização dos proprietários de qualquer marca registrada ou matérias com direito de autor incluídos nas fotografias ou materiais de AFP. Em consequência, o usuário será o único responsável pela obtenção de qualquer autorização por parte de qualquer indivíduo ou entidade para uso dos artigos, fotos ou gráficos da AFP.  http://www.afp.com/

AEGiS is a 501(c)3, not-for-profit, tax-exempt, educational corporation. AEGiS is made possible through unrestricted grants from Boehringer Ingelheim, Elton John AIDS Foundation, the National Library of Medicine, Bridgestone Firestone Trust Fund, and donations from users like you. Always watch for outdated information. This article first appeared in 2004. This material is designed to support, not replace, the relationship that exists between you and your doctor.

©1990, 2004 - AEGiS. AEGiS presents published material, reprinted with permission and neither endorses nor opposes any material. All materials appearing on AEGiS are protected by copyright as a collective work or compilation under U.S. copyright and other laws and are the property of AEGiS, or the party credited as the provider of the content.