PARIS, 6 jul (AFP) - A Ásia registra atualmente o mais rápido crescimento mundial de contaminação pelo vírus da Aids, com 1,1 milhão de pessoas infectadas em 2003, de acordo com os números do relatório publicado pelas Nações Unidas esta terça-feira em Paris.
O documento garante que, com 60% da população mundial, a Ásia apresenta o crescimento da epidemia "mais rápido no mundo", o que se deve, principalmente, ao aumento brusco das infecções pelo vírus HIV na China, Indonésia e Vietnã. Juntos, estes três países somam cerca de 50% da população asiática.
O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/Aids (ONUAids) estima que vivem na Ásia 7,4 milhões de pessoas com o vírus e que pelo menos 500 mil morreram contaminadas em 2003.
A epidemia nesta região se mantém concentrada, sobretudo, entre os consumidores de drogas injetáveis, homens que tiveram relações sexuais com outros homens, profissionais do sexo, sua clientela e seus cônjuges.
O ONUAids adverte que, se não forem empreendidas ações eficazes na China, pode-se chegar em 2010 a 10 milhões de pessoas infectadas no país. O vírus já se propagou por todas as províncias, regiões autônomas e municípios, embora cada zona tenha seu próprio padrão epidêmico.
Sem considerar a África do Sul, a Índia tem o maior número de pessoas infectadas pelo HIV. Estima-se que, em 2003, havia 5,1 milhões. Na maioria dos casos, o vírus foi contraído por via sexual, embora o consumo de drogas intravenosas seja o modo predominante de transmissão no nordeste do país. Nesta zona, foram detectados níveis de infecção de 60% a 75% entre os consumidores de drogas intravenosas que utilizam seringas contaminadas.
Nos estados de Andrah Pradesh, Karnataka, Maharashtra e Tamil Nadu (todos ao sul), o HIV é transmitido, principalmente, por relações heterossexuais, ligadas em grande medida à prostituição.
Segundo algumas pesquisas, mais de 50% dos profissionais do ramo seriam soropositivos. Nestes quatro estados, os níveis de infecção em mulheres grávidas se manteve mais ou menos estável, com pouco mais de 1%, o que parece indicar que um número significativo de clientes de profissionais do sexo pode ter transmitido o vírus para suas esposas.
Na Tailândia, o número de novas infecções diminuiu, caindo do nível máximo registrado em 1991, com 140.000 casos, até os 21.000 de 2003. Este notável avanço aconteceu, em especial, pelo maior uso de preservativos por parte dos rapazes e por um recuo nas visitas aos prostíbulos. Esta queda neste tipo de relação sexual vem acompanhada, porém, do aumento nas relações sexuais extraconjugais e ocasionais. As jovens tailandesas também parecem mais propensas a ter relações antes do casamento, em comparação às gerações anteriores.
Uma das epidemias mais recentes foi deflagrada no Vietnã. O percentual nacional continua sendo muito inferior a 1%, mas em várias províncias constatou-se níveis de HIV de 20% entre consumidores de drogas injetáveis. As práticas sexuais de risco também são uma preocupação. Os dados de 2002 mostram que a contaminação entre profissionais do sexo de várias cidades vietnamitas importantes ficou entre 8% e 24%.
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