PARIS, 2 Dez (AFP) - Para reduzir a pobreza nos países em desenvolvimento, é necessário "combater com urgência a saúde reprodutiva, ajudar as mulheres a evitar gravidez não desejada e eliminar o analfabetismo e a discriminação por questões de gênero", afirma o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) em seu relatório 2002 sobre a população mundial.
Publicado esta terça-feira com o título "População, pobreza e oportunidades: por um desenvolvimento a serviço dos pobres", o relatório lembra a importância das questões populacionais para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio adotados pela ONU.
As Nações Unidas pretendem reduzir à metade, antes de 2015, a pobreza e a fome no mundo, diminuir a mortalidade de mães e crianças, evitar a propagação do HIV e promover o desenvolvimento sustentável.
Segundo as projeções da Divisão de Populações da ONU, a população mundial chegará a 9,3 bilhões de pessoas até 2050. Lembrando a importância dos investimentos em saúde e educação para o crescimento econômico, o UNFPA afirma que, quando têm a possibilidade de escolha, os pobres em países em vias de desenvolvimento preferem ter menos filhos. Esta menor fecundidade em "microescala" produz ao fim de uma geração um potencial de crescimento econômico em "macroescala".
Esta "oportunidade demográfica" só acontece uma vez e diminui à medida que as populações vão envelhecendo e aumenta o número de dependentes idosos.
"Quando as políticas são eficazes, essa oportunidade gera progressos espetaculares", afirma o relatório, acrescentando que este foi o caso do México e do Brasil. "A diminuição da fecundidade no Brasil foi equivalente a um crescimento econômico de 0,7% do PIB per capita por ano".
Mas "é necessário investir mais para melhorar a saúde da população" e permitir que os casais tenham "o número de filhos que desejarem", assim como proporcionar uma educação de qualidade e melhores condições de vida para incentivar um processo de acumulação de "capital humano" necessário para "um desenvolvimento acelerado e sustentável".
O relatório adverte para o perigo representado pela atual situação econômica mundial para a realização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. "Este decênio começou com uma incerteza ainda maior" que o anterior. "As recentes reduções mundiais no comércio internacional, a recessão econômica generalizada e as novas crises bancárias e financeiras, como as que estão afetando o Brasil e a Argentina, podem deter o crescimento econômico".
O relatório detalha os efeitos da discriminação das mulheres, do analfabetismo, da escolarização insuficiente, da falta de saúde e da Aids sobre as perspectivas econômicas e lembra as discrepâncias existentes entre homens e mulheres, ricos e pobres, países em vias de desenvolvimento e países desenvolvidos.
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